João já não era mais um menino quando perdeu a virgindade. Tinha certeza de que fora meio prudente ao perguntar se ela estava no período fértil. Não? Então, tá! Foi bem bom.
Duas semanas depois, menos virgem ainda, ficou sabendo da gravidez.
Mara o nome dela, verde a cor preferida, Hair o filme.
Seriam assim férteis? Uma bimbada, um bambino?
A moça, sem muito constrangimento, mãe de um menino e ex-grávida de outros, mostrou-se naturalmente incomodada com essa sina. Uma vez é humano…
Joinville era logo ali. Na ante-sala umas menininhas com suas mães. E um adolescente com sua mulher.
Meia hora, amarelou. Medo de morrer!
Mas uma semana depois estavam em Curitiba. Velhinho simpático. (Alguém devia ter perguntado a idade do feto.) Se tivesse nascido, chamar-se-ia Élvio, Élbio, Élcio, oxalá Érico Junior.
Foi tão rápida a intervenção que dela se seguiu uma caminhada pelas ruas de Curitiba, debaixo de um forte sol. Irresponsáveis. Depois, uma paulada em antibióticos.
Um quarto de século mais tarde, Mara reencontrou João, queria pedir perdão e mencionou a dívida.
João não precisava, mas aceitou que ela pagasse metade do que seriam hoje os custos de passagens, clínica e remédios, toda a economia do moleque com a venda de picolés, de suportes de corda para samambaias e de calças e polainas em tricô.
Fez bem. Usou o dinheiro para controlar um pouco melhor a cirrose hepática.
Agora, sozinho e morimbundo, ele não se arrepende de quase nada, mas, se pudesse recomeçar, certamente teria feito sua iniciação em um puteiro.
Final de história frio? Romântico seria se Mara tivesse aparecido para confessar que o filho que não nasceu não era dele.
Giovanni Secco.