Texto original
“Há um grande debate entre o uso padrão do idioma com todas as suas regras e, por outro lado,o uso coloquial e espontâneo. Sabe-se que um profissional com bom domínio de nossa gramática e bom vocabulário é quase sempre mais bem visto profissionalmente do que aquele que não domina tais conhecimentos. De forma geral, qual é a sua opinião sobre o idioma formal e informal de nosso idioma.”
Numa primeira leitura, tudo o que me chamou a atenção nesse enunciado está destacado com cores:
Há um grande debate entre o uso padrão do idioma com todas as suas regras e, por outro lado,o uso coloquial e espontâneo. Sabe-se que um profissional com bom domínio de nossa gramática e bom vocabulário é quase sempre mais bem visto profissionalmente do que aquele que não domina tais conhecimentos. De forma geral, qual é a sua opinião sobre o idioma formal e informal de nosso idioma.
Em vermelho, dois erros inquestionáveis: falta de espaço depois da vírgula e de ponto de interrogação na pergunta.
Em azul, há tanto problemas evidentes quanto discutíveis. Vamos apresentá-los.
1) “debate entre” normalmente seria entre duas pessoas, não entre temas. Preferível a regência “sobre”, mas isso exigiria acrescentar a oposição entre uso padrão e uso coloquial. Deixemos uma solução para mais tarde.
2) “entre” requer apenas um “e”, e não “por outro lado”. Não faz sentido essa redundância. Solução: deletar por outro lado.
3) “uso padrão do idioma com todas as suas regras” parece ser outra redundância. Se é uso padrão, tem de ser com as regras. Uma solução simples, para não suprimir texto, seria acrescentar uma vírgula: “uso padrão do idioma, com todas as suas regras”.
4) “coloquial e espontâneo”. O autor pode até argumentar que quer ser didático, mas se é coloquial é espontâneo. Solução? Ou uma vírgula, ou apenas coloquial, que é o termo mais adequado ao assunto, em oposição a formal. Aliás, alguém pode ser tão erudito que o formal torna-se espontâneo.
5) “profissional” e “profissionalmente” na mesma frase. É necessário? Nossa língua culta mais a riqueza vocabular aceitam isso? Proporei alguma coisa depois.
6) “bom domínio” e “bom vocabulário” também parece pobre. Vamos ver.
7) “de nossa”, “a sua”, “de nosso”. Podemos flutuar entre “sua” e “a sua” num mesmo texto? É opcional sim, mas num texto formal podemos alternar entre uma e outra forma? Não.
8) dominar “tais conhecimentos” faz-me perguntar quais seriam esses supostos tais conhecimentos citados. É claro que sei que o autor quer referir-se a “nossa gramática” (qual delas?) e “nosso vocabulário”. Gramática e vocabulário podem ser chamados de “conhecimentos”? O domínio deles pode ser chamado de conhecimentos? Domina-se vocabulário? Essas são perguntas que eu, como revisor, me faço.
9) “o idioma formal e informal de nosso idioma” foi escrito sem atenção, sem revisão.
Considero que um profissional revisor não precisa resolver todos esses problemas que apontei, tampouco se limitar a eles. Há um mínimo inquestionável de emendas e um máximo que extrapola as funções típicas de revisor. Alguém poderia sugerir 15, 20 alterações, a ponto de construir um texto novo. Nesse caso, trata-se de copidesque. Definir limites de ação do revisor, portanto, é complicado. Insisto, de qualquer forma, que um mínimo é obrigação de um bom profissional.
Finalmente, apenas uma entre as soluções possíveis para o texto, em parte exagerada:
Há um grande debate sobre a exigência do uso padrão de um idioma, com todas as suas regras, e, por outro lado, sobre as implicações do uso coloquial. Sabe-se que um indivíduo com bom domínio da gramática e com um vocabulário rico é quase sempre mais bem visto do que aquele que não tem essas qualidades. Em linhas gerais, qual é a sua opinião a respeito dos registros formal e informal do nosso idioma?